QUASE NINGUÉM MAIS SUPORTA O EVANGELHO!…

Postado em 25 de Agosto de 2010 por bedhung

Meu exercício mental tem sido [entre tantos outros que faço…] o de ler as Escrituras apenas a partir de Jesus; deixando de fora todas as pré-compreensões estabelecidas pela Religião Cristã; especialmente no que tange às suas Institutas ou Dogmas; quase todos nascidos da e na Igreja de Constantino; não do e no Evangelho…

Sim, leio tudo que houve […] antes e depois de Jesus somente a partir de Jesus…

Alguém pergunta: E qual a importância disso?…

Ora, eu respondo…

Este é Santo Graal que os cristãos não querem achar; este é o Código da Bíblia que os judeus se recusam a admitir; este é o Sol que os humanos fazem guerra para apagar; este é o Caminho do Verbo na vida humana que Satanás mata e morre para destruir!…

O olhar que se adquire de tal modo de ver tudo a partir de Jesus do modo mais simples possível, nos leva inapelavelmente para uma descontrução profunda, e, sem exagero no dizer: desconstrução total de tudo e de todas as coisas…

O mundo acaba!…

Afinal, foi Jesus Quem disse que aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus!

Assim, por exemplo, em Jesus vejo que o mundo jaz no mal, que tem um Príncipe [com o qual Jesus diz não ter nada a ver… ou a tratar…]; que originalmente o mundo era um campo de trigo, mas que foi infiltrado de joio; que os melhores homens, os que sabem dar boas coisas aos seus filhos, ainda assim são maus; que a geração que O cercava era incrédula e perversa [assim como todas as demais…]; que os líderes da Religião eram os mais caídos entre os caídos; que a presunção de “saúde” dada pela Lei, pela Moral ou pela Ética — criava a pior de todas as quedas…; que quem comete pecado [e que não comete?…] era escravo do pecado; que o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido; que há “perdidos” menos perdidos, pois se sabem perdidos; e que há perdidos mais perdidos que os “perdidos”, porque se julgam achados e sabedores do caminho para outros […]; que só Deus sabe quem é de Deus, assim como na história do Samaritano Bom somente Deus veria tal bondade redentora [posto que o preconceito não permitisse que os judeus vissem graça de Deus onde só havia ódio e preconceito humano]; que o juízo de Deus separa os homens como um Pastor separa os cabritos das ovelhas; que o critério de tal juízo não será religioso, mas apenas centrado em atos de amor, a fim de justificar, e em atos de maldade ou de omissão, a fim de condenar; que a humanidade seguirá firme em seu caminho para a morte; que nada acordará os humanos no curso da História; que somente a Calamidade Final trará Luz ao entendimento humano; que os governos e poderes deste mundo não realizarão nenhuma Paz duradoura; que a vocação homicida e suicida dos humanos os levará a um encurralamento sem saída ou solução; que o final será marcado por desordens naturais, por assombrações inexplicáveis, por fenômenos apavorantes, por perspectivas aterradoras, pelo divisar de um futuro de morte; e, sobretudo, por se buscar na evasão […] a solução […], já que no Planeta não haverá esconderijo…

Desse modo, o que se vê em Jesus é a afirmação de que a humanidade se fará mal até ao fim…

Ora, para alguns tal vaticínio parece ser negativo… Para mim, entretanto, ele é apenas realista na verdade que não disfarça…

Jesus não chamou isto de Queda, mas de Morte…

Sim, por isto Ele disse que os cidadãos das falsas esperanças deste mundo eram como mortos; daí Ele mandar os que os mortos deste mundo sepultassem seus próprios mortos, assim como os soldados da batalha inglória devem pelo menos sepultar os mortos no mesmo campo de guerras de insanidades…

E mais: quando se lê e interpreta tudo a partir de Jesus, nenhuma religião, filosofia, sistema de governo, ou as ilusões das virtudes humanas — ficam em pé!…

O modo como Ele tratou o mundo dos sistemas humanos, seus governos, Direitos, Leis, Poderes, e Presunções…, sim, Seu modo de ver e interpretar o mundo dos homens sempre indicou a total falta de esperança de Jesus no homem como criatura capaz da paz e da justiça que logo não se corrompam…

Daí Ele dizer que o Seu reino não é deste mundo, não tem uma geografia-política e nem tampouco possui uma manifestação fora dos atos que emanem de corações; de tal modo que Ele disse que não se deveria buscar o reino de Deus aqui, ali ou acolá…, mas apenas dentro do coração.

Todas as questões que animam nossos debates de mortos para mortos não estavam presentes em Jesus…

Ele nunca se ocupou das Religiões do mundo; nem dos sistemas de poder do mundo [apenas disse: “Entre vós não é como entre eles”…]; nem se empolgou com as ofertas temporárias de paz interesseira; nem mesmo propôs que Seus discípulos tivessem a ambição de tomar o poder que Ele mesmo rejeitara possuir [“tudo isto ti darei…”] pela via mundana ou mesmo por qualquer via […], posto que se esse fosse o caso Ele mesmo teria se curvado ante o Príncipe deste Mundo…

Para Jesus, questões como a separação entre Estado e Igreja, seriam como uma anedota […], posto que para Ele tal coisa não devesse ser nem mesmo uma questão […], quanto mais uma proposta […] ou um dilema…

Para Jesus […] a Sua Igreja era e é no mundo apenas sal e luz; e nada mais… Sim, deveria ser uma assembléia de escravos de todos, de servos de todos, de Filhos do Homem em pleno serviço de graça no mundo…

Sim, quase todos os temas de nossas angustias cristãs não tiveram espaço em Jesus…

Nós, entretanto, não sabemos mais fazer a diferença; visto termos nos tornado tão discípulos do Mundo/Igreja e da Igreja/Mundo […] que a simples alusão ao que em Jesus é tão simples como a Luz […] causa desconforto na maioria […].

Fico vendo, de um lado, as angustias dos filhos do Cristianismo aflito, com medo de que os poderes que lhes foram dados pelo Imperador Constantino lhes não lhes sejam garantidos até ao fim… De outro lado vejo os que querem assumir de modo explicito os poderes de domínio do Império Romano Cristão na Terra…

Os 1º estão na defensiva, com medo de tudo…

Já os do 2º grupo estão em pleno processo de “Cruzada” político/religiosa contra os infiéis…

Jesus chora por eles como chorou sobre Jerusalém…

Sim, “pois isto agora lhes está oculto”…

O Véu ainda não saiu de seus rostos, visto que esconda a desvanecência de suas faces sem a semelhança de Jesus […], porém, semelhantissima à de Constantino.

Enquanto isto… [aqui e ali] recebo ofensas por dizer apenas aquilo que vejo em Jesus e nada do que não vejo em Jesus!

Jesus, apenas Jesus […]; sim, Jesus, puro e simples […] — se tornou insuportável para os ouvidos dos senhores do Cristianismo: os clérigos, os sacerdotes, os bispos, os Dons isto e aquilo, etc…

Eu, todavia, me entristeço com a cegueira deles, ao mesmo tempo em que me encho de ternura misericordiosa…

Nada se pode esperar de quem não sabe se serve apenas ao Evangelho, vendo tudo somente em Jesus e a partir de Jesus, amando a Palavra da Vida, que, em sua simplicidade, destrói tudo aquilo que se tem cultuado como “Deus”, “Jesus” e “Evangelho” — ou se serve a um hibrido de produção humana que se batizou com o nome de “Cristianismo”.

Os que coxeiam entre tais inexistentes alternativas, segundo a radicalidade do Evangelho — tornam-se apenas Estatuas falantes do antigo Império Romano vestido de Cristianismo.

A Antiga Serpente não apenas enganou Eva e Adão, mas Abraão, Davi, Salomão […], todos os reis de Israel, os Judeus, os Cristãos, o Cristianismo, o Protestantismo, o mundo todo […]; e, em especial, segue enganando a todos que se impressionem mais com as possíveis glórias cristãs ou ameaças aos cristãos, do que com a perversão que nos trouxe à “preocupações” tão distantes de Jesus e do Evangelho…

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça; e quem puder discernir, discirna…

Nele, que diz como as coisas são, e que manda que Seus discípulos lavem os olhos a fim de verem tudo como Ele manda que se veja, interprete e decida,

Caio

O CORPO DO HOMEM E DA MULHER: alguns princípios do Evangelho sobre o corpo e o sexo…

Postado em 19 de Agosto de 2010 por bedhung

As pessoas continuam me escrevendo muito [especialmente nos últimos dias…] sobre o que pode e o que não pode no que diz respeito ao corpo do homem e da mulher.

Acho interessante, pois, aqui no site há centenas de textos diretos e indiretos acerca do assunto.

A “recorrência” nos temas recorrentes em respostas no site […] me diz de duas […], uma coisa pelo menos: ou que as pessoas não usam mesmo o serviço de Busca ou Pesquisa do site, de um lado, ou que mesmo sabendo de tal recurso […], perguntam assim mesmo como quem busca alguma forma de validação ou negação pela via da minha consciência no Evangelho.

Ora, no último caso eu me tornaria uma espécie de Super-Ego virtual, o que é de todo mal para quem assim me veja ou pretenda me usar…

Entretanto, a fim de tentar dirimir de uma vez as dúvidas, recorrerei ao anuncio de alguns princípios, evitando a temática tópica; tipo: pode sexo oral?… pode sexo anal?… pode transar na menstruação?… pode usar objetos do tipo “vibrador” e correlatos?…

Enfim, tópicos do gênero, os quais, apenas são perguntados por que as pessoas não aprenderam os princípios do Evangelho da Vida acerca do significado do corpo de cada um de nós.

A questão é: de onde vem essa neurose acerca do corpo?…

Ora, cada cultura da Terra tem suas raízes próprias quanto ao tratamento que se dá ao corpo. Entretanto, no contexto do “Cristianismo” [cultura judaico-cristã], a doença do corpo foi terem feito o corpo ser a doença.

Sim, por vias diversas, indo do Legalismo judaico ao Ascetismo de grupos gnósticos [havia grupos gnósticos tanto promíscuos quanto ascetas…]; indo do Ascetismo judaico [tipo fariseu ou essênio…] ao Platonismo grego; indo Purgação de pecados do corpo pela confissão ritual […] ao Isolamento dos monastérios — não importa: a doença do corpo foi terem feito o corpo ser a doença.

Jesus, a Palavra, o Verbo, não tratou o corpo como uma dimensão adoecida…

Ele curava doenças físicas, embora não tratasse o corpo como um ente mal ou em estado de perversão continua…

Ao contrario, Ele disse que o que entra no corpo não é o que lhe faz mal, mas sim o que seja o resultado da produção do coração, dos pensamentos e da alma…

Para Jesus tudo era mais simples; simples como a Natureza.

Sim, pessoas nasciam e morriam; jovens dançavam e velhos ficavam cada vez mais quietos; adultos se esforçavam por ser responsáveis, enquanto crianças tinham toda permissão para a leveza da vida…

É assim que o vemos ser e apreciar a vida, conforme nas narrativas dos Evangelhos…

Assim, também não O vemos fazendo advertências sobre o modo de vestir, de usar roupas ou de fazer o cabelo ou a barba [como, por exemplo, Maomé fez…]; nem Ele ensinou uma posição especial para se assentar ou meditar [como Buda ensinou…]; nem encontramos Nele nada dito acerca de como a mulher deveria fazer sexo com um homem e nem um homem com uma mulher… [como todos fizeram]… Também não O vemos fazendo alusão ao afeto homossexual…

Por outro lado, vemos que Ele não recriminava o beber [não somente transformou água em vinho, como também Ele mesmo bebia], mas sim o embriagar-se; não o vemos falar de sexo […], mas sim de sua perversão […], como orgia e sexo objético, ou adúltero e traição; não O vemos mencionar negativamente as festas e as danças [na Parábola do “Filho Pródigo as alegrias do Pai são celebradas com danças], mas sim as preocupações deste mundo…

Não há Nele nenhum sinal de falta de carinho com o corpo e com as alegrias do comer, do beber, do amor sexual [como foi por Ele demonstrado em Caná da Galileia], ainda que o vejamos denunciar a promiscuidade, as impurezas, as malícias, as bebedeiras que tiram a lucidez, e toda sorte de maldades contra a integridade do próximo…

As grandes denuncias de Jesus não tinham a ver com o corpo, mas com a mente/coração, com o espírito e o interior do homem.

Entre os elementos carregados de fisicalidade […] nenhum foi mais denunciado que o Dinheiro, ou Mamon.

Ora, é bom que se diga que não faltavam à volta de Jesus todos os elementos de “excessos” que naturalmente O poderiam ter levado a tomar posições radicais…

Os Romanos mandavam no mundo e impunham seus valores de modo sorrateiro… Antes deles os gregos, pela via do processo de “Helenização”, já haviam alterado a face do comportamento humano em boa parte do mundo então conhecido e historiado…

E mais: Jesus ainda escolheu residir no ambiente mais dado aos excessos que havia em Israel naqueles dias: o norte da Galileia.

Sim, todos os “vícios” do Império Romano e o Eco da cultura grega estavam presentes nas perversões dos dias de Jesus.

Jesus, porém, não radicalizou nada que não fosse vida!

Assim, pelo espírito de Jesus demonstrado nos Evangelhos, bem como pela via da percepção que nos advém do todo do Novo Testamento, o que se pode dizer é que para Jesus o corpo não era a doença, e sim a mente.

O corpo podia enfermar, mas era e mente que era a doente…

A doença somente habita o coração…

Do lado de fora as pessoas no máximo ficam enfermas […], mas aí não necessariamente há doença […]; digo: do ponto de vista do que Jesus chama “doença” nos Evangelhos.

Portanto, vale no corpo tudo o que decorre de amor e de alegria consensual.

Assim, olhando apenas para Jesus, ouvindo apenas o que Ele disse […], sem deixar de também ouvir o Seu silencio sobre alguns temas tão presentes à Sua volta […] — é que digo que Jesus disse apenas o que Paulo traduziu; ou seja: que o corpo do homem pertence à sua mulher, e que o corpo da mulher pertence ao seu marido… Mas que entre eles tudo o que envolva tudo… […] deve sempre ser fruto de amor e alegria consensual.

Ora, se de um lado não vejo em Jesus nada além do que acima expressei […], de outro lado vejo que Sua ênfase em como as coisas foram desde o princípio, não nos permite pensar em nada que não ande o mais próximo possível do NATURAL como bem corpóreo que um homem e uma mulher possam fazer sexualmente um ao outro; ou seja: no ambiente natural do próprio corpo.

Por isto, o encontro de interpenetração corpórea entre um homem e uma mulher deve ser um encontro de total liberdade no ambiente do corpo; do corpo sendo o instrumento de cada um dos implicados na busca do prazer…

Pela mesma razão, vejo que aquilo que vai além do corpo como instrumento de prazer já é patologia na busca de prazer…

Onde há amor tudo é permitido, menos desconsiderar o corpo e buscar objetos que não sejam corpo […], pois, em tal caso, já não é amor, mas qualquer outra patologia o que está em curso […]; posto que o amor não veja outra extensão para o corpo que seja melhor que o próprio corpo, em estado natural.

O resto é apenas com cada casal…

O que importa é que tudo seja feito em amor e em alegria consensual…

No sexo feito com amor nada é melhor do que o corpo!…

Quem ama não quer meter objetos no corpo do outro, mas sim enfiar seu próprio corpo no corpo do outro, para que sejam sempre uma só carne; não um pedaço de carne com boa dose de borracha ou aparelhos eletrônicos…

Jesus não é o pai da robótica!

Muitos menos da robótica sexual…

Nele, que corpo me formou, capaz de todos os prazeres do corpo, no corpo, e, sobretudo, no corpo/alma,

Caio

O evangelho do homem

Postado em 9 de Agosto de 2010 por tucoegg

Uma das partes centrais do evangelho é o que ele diz a respeito do homem. Na sociedade mística e antropocêntrica que vivemos, é mais fácil, de certa forma, que alguém venha a crer no que a bíblia diz sobre Jesus, do que no que Jesus diz sobre o ser humano.

Absolutamente indiferente a nossa mania de grandeza e auto-sufuciência, Jesus declara que os que realmente tem alguma virtude são aqueles que não tem a menor consciência de tê-la. O pobre, fraco, humilde, excluído, rejeitado é maior que todos, justamente porque sabe que realmente não vale nada. Mas a afirmação verdadeiramente terrível é a de que o Reino do Céu é desses, e não de outros.

Um ítem importantíssimo foi deixado de lado das nossas confissões de fé. Cremos em Deus pai, todo-poderoso, em Jesus Cristo, seu único filho e no Espírito Santo, mas não cremos no impostor que vive em nós. Insistimos em imaginar que quando a graça de Deus nos alcança, tornamo-nos merecedores dela, pela santificação ou seja lá o que for. Mas não percebemos que nesse instante, como disse Paulo aos Gálatas, caimos da graça.

Na minha confissão, inseri esse item. Creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo, mas creio também no impostor que vive em mim e me faz totalmente dependente da graça de Deus.

COMO DISCERNIR UM AMIGO DE VERDADE?

Postado em 9 de Agosto de 2010 por bedhung

 
Meu critério pessoal, hoje, de atribuir amizade a alguém, é muito simples: vejo quem se alegra com minhas alegrias, e chora com minhas dores.
No entanto, quando se trata de estabelecer uma nova amizade, primeiro vejo se ela tem “espírito” para se alegrar com minhas alegrias; pois, somente depois disto, é que terei confiança de fazê-la parte de minhas tristezas.
Ora, isto tanto se baseia no ensino espiritual do Evangelho, como também é uma simples constatação da vida.
No espírito do Evangelho, Paulo ensina: “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram”. Assim, a gente só sabe quem chora genu-inamente com a gente, se tal pessoa, tendo tido a oportunidade, já se alegrou sinceramente com nossa felicidade.
Na vida é a mesma coisa. Amigos que fazem cara de inveja ou mostram atitudes estranhas quando a gente está bem, não merecem fazer parte de nossas tristezas.
Somente “amigos mesmo” é que podem entrar no santuário de nossas dores. Inverter esta ordem, é como convidar o diabo para presidir a Santa Ceia do coração.
Todavia, embora eu já houvesse até pregado e escrito sobre isto, sempre a partir da Palavra, foi quando a Palavra se tornou existência, dor, perda, angustia, medo, solidão e sentimento de desprezo, que vim a entender, com o coração, qual é a constituição de um verdadeiro amigo, e o sentimento sentido do significado das palavras de Paulo.
Os que tiveram chance e se alegraram muito com minhas alegrias, foram os mesmos que efetivamente estavam presentes em minhas tristezas; e sempre solidariamente me falaram a verdade..
A esses eu chamo amigos, significando não um tra-tamento de palavras, mas um tratamento de vida, e carinho grato e comprometido.
Caio

Hocus-Pocus

Postado em 2 de Agosto de 2010 por tucoegg

Pouco depois do grande salto que transformou o cristianismo de subversivo e perseguido em religião oficial do Estado Romano, o latim tornava-se a linguagem popular de todo o império. A igrejas cristãs já haviam sido agraciadas com suntuosos prédios e rígida estrutura de poder e liturgia. A ceia cristã já havia perdido suas caracerísticas de celebração coletiva e tomado ares místicos. No sacramento da eucaristia o ministro proferia ritulisticamente, em latim, as palavras “hoc est corpus meun”, que significa “este é o meu corpo”. Alguns creditam a Ambrósio de Milão (339-397 d.C) a origem da crença na transubstanciação do pão e do vinho. Segundo ele, a simples pronúncia das palavras liturgicas convertia, como que por magia, o pão e o vinho no corpo e sangue de Jesus.

Corpo de quem?

O termo ganhou força e solidificou definitivamente seu status de mágico, devidamente transfigurado, como de contume nessas complexas evoluções linguísticas. A origem já caiu no esquecimento. O significado já não têm a menor importância. A definição já não faz sentido. O que importa mesmo, com o passar do tempo, é a conotação.

“Porque eu não sei. Só sei que aquele padre levantava um pão e um caneco pro céu, falava um ‘hocus-pocus’ e pronto, tava feita a magia!”

O coração pulsante do mestre II

Postado em 26 de Julho de 2010 por tucoegg

Nossa salvação e força residem na confiança total no Grande Mestre que partiu o pão com Zaqueu, o proscrito. Partilhar de uma refeição com um pecador notório não foi um mero gesto de tolerância liberal e de sentimentalidade humanitária. Foi a corporificação de sua missão e mensagem: perdão, paz e reconci­liação para todos, sem exceção.

A prometida paz que o mundo não provê encontra-se num relacionamento apropriado com Deus. A auto-aceitação só se torna possível quando confio radicalmente que Jesus me aceita como sou. Dar boas-vindas ao impostor e ao fariseu dentro de mim marca o início da reconciliação comigo mesmo e o fim da esquizofrenia espiritual.

O coração fala ao coração. O Mestre roga: “Você não entende que o discipulado não está relacionado com ser correto, perfeito ou eficiente? Tem tudo a ver com a forma pela qual vocês convivem”. A cada encontro, damos ou sugamos vida. Não há intercâmbio neutro.

Realçamos a dignidade humana ou a diminnuímos. O sucesso ou fracasso de um dia qualquer se mede pela qualidade do nosso interesse e nossa compaixão pelos que nos rodeiam. Nós nos definimos pela reação à necessidade humana.

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Extraído do capítulo 9 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning

O coração pulsante do mestre

Postado em 19 de Julho de 2010 por tucoegg

Sem suas feridas, onde estaria seu poder?

A vida dos que se engajam plenamente no conflito humano será crivada de balas. O que aconteceu com Jesus vai, de alguma forma, acontecer conosco. As feridas são necessárias. A alma, assim como o corpo, precisa ser ferida. Pensar que o estado natural e apropriado é permanecer ileso é pura ilusão. Aqueles que usam coletes a prova de balas para se proteger do fracasso, do naufrágio e do coração despedaçado nunca saberão o que é o amor.

A vida sem ferimentos não mostra nenhuma semelhança com a do Mestre.

As depressãos, ciumeiras, narcisismo e fracassos não estão na contramão da vida espiritual. Na verdade, lhe são essenciais. Quando cultivados, impedem que o espírito entre arremetidamente no ozônio de perfeccionismo e orgulho espiritual.
Thomas Moore, The care of the soul, P. 263

O impostor que vive em mim não deve (nem pode) ser morto, mas encarado com sinceridade.

Com quem falarei abertamente? A quem posso revelar minha alma? Para quem ousarei dizer que sou malévolo e benevolente, casto e vulgar, compassivo e vingativo, altruísta e egoísta; que por debaixo de minhas palavras corajosas vive uma criança assustada, que me imiscuo na religião e na pornografia, que manchei o cará­ter de um amigo, traí a confiança, violei uma confidencia, que sou condescendente e sério, intolerante e fanfarrão, que realmente odeio quiabo?

Se expuser o impostor e revelar o verdadeiro eu, o maior medo é ser abandonado por meus amigos e ridicularizado por meus inimigos.

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Extraído do capítulo 9 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning

O que o Caminho da Graça Deseja II

Postado em 16 de Julho de 2010 por bedhung

Na prática, o que o Caminho da Graça deseja é que, não nos tornemos mais um ambiente que o palco se torne o lugar principal, o lugar de honra, o lugar de destaque. Que não nos tornemos um ambiente de disputas intra-muros para se saber quem é mais ou menos isto ou aquilo. ( perdão, não gastar tempo em detalhes sobre isto ).

O que não queremos é nos tornar um ambiente de gente vaidosa, arrogante, presunçosa, cheia de si mesma, se achando, como dizem por ai. O que menos queremos é nos tornar uma estrutura pesada, isto é, cheia de departamentos, ministérios, projetos, programas, eventos, enfim, ter uma agenda ativista religiosamente falando.

O que não queremos é que nossos encontros se tornem uma mesmice, chatos, mas, também não queremos que eles se tornem um fim em si mesmo. Queremos que nossos encontros se tornem um lugar de conscientização da graça e que, a partir deles, a graça ganhe a vida, o cotidiano, o caminho na peregrinação dos caminhantes.

Queremos que nossos encontros sejam os primeiros degraus para um universo de possibilidades entre as pessoas. Queremos que, a partir dos encontros, das amizades espirituais que brotam, das afinidades que são identificadas, dos dons, talentos e habilidades que estão disponibilizados, todos se tornem homens e mulheres engajados por causa da graça na vida de outros tantos que precisam saber e conhecer a graça. Para nós, a estrutura do Caminho da Graça tem que ser leve, muito leve, pois, não queremos gente comprometida com a estrutura, queremos gente comprometida com a vida.

Queremos gente trabalhando na vida e não no Caminho da Graça, isto é, na estrutura do Caminho da Graça. E, para que isso não aconteça, não vamos criar estruturas pesadas.

É obvio que precisamos dos chamados mínimos razoáveis para o funcionamento, para a operacionalização do caminho, mas, a graça deve funcionar e ser operacionalizada no cotidiano das pessoas. E mais, desejamos que as necessidades que estão surgindo no Caminho sejam atendidas de modo voluntário, natural, simples. Então, todos nós no Caminho, em vendo o que se precisa fazer, que nos disponibilizemos a fazer naturalmente.

Seja o que é muito simples ao que é complexo e demande tempo, mas, que seja natural, espontâneo, voluntário e com alegria em fazer, em servir, sabendo que é assim que se adora o Criador. Sim, claro, temos necessidades básicas que precisam ser atendidas pelos caminhantes, desde chegar mais cedo para ajudar na arrumação do nosso ambiente, a contribuir financeiramente para que tenhamos recursos mínimos para poder existir e se reunir como Caminho da Graça.

Carecemos também de gente com habilidades com crianças, adolescentes, jovens, casais..enfim…é claro que mais cedo ou mais tarde, teremos que saber lidar com estes segmentos e faixas etárias segundo suas necessidades e com uma leitura correta de como cuidar, segundo a consciência da graça. Insisto, que isto aconteça de modo natural, sem estresses e cronogramas rígidos. Mas, tudo isso tem que acontecer com um único propósito, que todos nos tornemos melhores seres humanos. Que todos nos tornemos gente na vida.

Cristãos no mundo das pessoas, sejam elas quais forem. O Caminho da Graça deseja que os homens e mulheres, jovens e os maduros, crianças, enfim, todos sejam gente como gente deve ser. Pais, maridos, esposas, mães, filhos, profissionais, cidadãos melhores. Melhores em suas casas, trabalho, escola, universidades, na rua em que moram ,no bairro, na cidade, em qualquer lugar.

Que cada caminhante se voluntarie em algum projeto que visa melhorar as pessoas, atender as pessoas, cuidar das pessoas, servir as pessoas, sejam elas quais forem. Que nos engajemos em atividades culturais, ambientais, sociais, políticas, que visam dar qualidade de vida às pessoas.

Que nos ocupemos com programas, projetos e iniciativas que devolva a dignidade às pessoas. Seja na rua de casa, na escola, na creche, no hospital, na cadeia, asilos, e tantos ambientes onde a dignidade humana tem sido desprezada. Que os caminhantes se tornem solidários nos eventos trágicos da cidade. Que se mobilizem em direção dos que choram, sofrem, caem pelo caminho. Mesmo que sejam pequenos gestos de amor, de carinho, de simpatia, de compaixão.

Em casa, na família, que a graça produza relacionamentos saudáveis, onde haja conversa com filhos, com pais, avos, tios e tias, primos…Inberessem-se por eles. Ouça sua mulher. Ouça seu marido. Ouça sus filhos. Ouça seus pais. Queridos, no Caminho da Graça, não queremos ganhar o mundo ou tudo que o mundo tem, e, perdermos a nós mesmos ou os que estão a nossa volta.

Quantos que com o discurso de ganhar o mundo para Jesus, se perderam, e perderam os que lhes eram mais caros e queridos. No Caminho da Graça, queremos nos re-encontrar com a nossa própria consciência cristã, e re-encontrar todos e tudo que de fato dão significado à vida. Isto é tarefa para a vida toda e esse é o convite para uma peregrinação longa, paciente, demorada, mas, cheia de significado. Que seja assim. Isto é o que queremos no Caminho da Graça. Se é o que você quer, és bem-vindo.

Com carinho.

Carlos Bregantim

Coragem e fantasia

Postado em 12 de Julho de 2010 por tucoegg

A medida de nossa profunda consciência da presença do Cristo ressurreto consiste na capacidade de nos posicionarmos a favor da verdade e de suportarmos a desaprovação dos que nos são importantes. A crescente paixão pela verdade evoca um desenvolvimento indiferente à opinião pública e ao que as pessoas dizem ou pensam. Não conseguimos mais nos deixar levar pela multidão ou fazer eco à opinião de outros. A voz interior “seja corajoso, sou eu, não tema” nos dá a certeza de que nossa segurança repousa no fato de não termos segu­rança alguma. Quando nos colocamos sobre os próprios pés e assumimos a responsabilidade por nosso eu singular, crescemos em autonomia e força pessoal e nos libertamos das amarras da aprovação humana.

A única resposta correta e adequada à pergunta que se espalhou no tempo de Jesus — e que, no Novo Testamento, os discípulos também colocaram para Jesus — “Quando virá o fim e quais serão os sinais?” é, portanto: não se confundam com tais coisas, mas vivam a vida comum de cristãos, de acordo com a prática do Reino de Deus; então nada nem ninguém lhes sobrevirá inesperadamente que não seja o governo libertador do próprio Deus…

Não importa se agora você está trabalhando no campo ou moendo milho, se é sacerdote ou professor, cozinheiro ou porteiro, ou um aposentado de idade avançada. O que importa é como está sua vida ao apegar-se à luz do evangelho de Deus, cuja natureza é amar toda a humanidade.

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Extraído do capítulo 8 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning

O resgate da paixão

Postado em 5 de Julho de 2010 por tucoegg

O número de pessoas que fugiram da igreja por ela ser paciente ou compassiva demais é despresível; o número dos que fugiram por achá-la demasiadamente implacável é trágico.

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Extraído do capítulo 7 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning