tucoegg em 09/01/12

Oi gente.

Nós tamos de férias, mas a vida não para. Então compartilho com vocês outro projeto que está acontecendo agora em janeiro com voluntários dessa rede de discípulos de Jesus.

Além do já bastante conhecido trabalho na Nigéria com as ‘crianças bruxificadas’, uma nova equipe está se formando pra seguir pra Angola em fevereiro. O problema é semelhante à Nigéria, mas em escala bem menor.

Mas agora em Janeiro alguns manos estão indo pro Senegal pra tentar iniciar um trabalho com crianças talibés, que são obrigadas a passar a infância trancafiadas e maltratadas por conta do fundamentalismo muçulmano. A equipe já esteve lá em 2011 [vídeo de divulgação ainda antes da primeira ida ao Senegal], fez alguns contatos milagrosamente inesperados e está indo novamente, agora a convite do governo, para um encontro com o presidente e a ministra da primeira infância. Como isso aconteceu? Só Deus sabe. O fato é que nem o governo nem a população atura mais os maus tratos em nome de uma elite religiosa fundamentalista e abestada.

São irmãos nossos, gente que conheço pessoalmente, gente de bem e confiança. Orem por eles. Se puderem, contribuam financeiramente conforme a possibilidade de cada um [http://www.caminhonacoes.com/doeagora.asp].

Pra quem quiser mais informações, mais abaixo está a carta do Quintela. Logo abaixo links pra infos sobre os Talibés:
- O que é talibé?
- Crianças escravas em escolas coramicas

Até logo, ótimo 2012 pra todos.
Tuco.

———- Mensagem encaminhada ———-
De: Marcelo Quintela <marceloquintela@caiofabio.net>
Data: 31 de dezembro de 2011 19:19
Assunto: CHEMIN DE FUTUR – Aos mentores no Brasil e no mundo

Amigos irmãos,

Às vésperas do sol amanhecer um novo ano, quero compartilhar com vocês, os mentores do Caminho, aquilo que não posso mais guardar comigo, sob pena de não ter a oração e a companhia de vocês em nossas incursões na direção de gente abusada pelo mundo.

Embarco para o Senegal dia 14 de Janeiro. O Chico está tomando as providências junto à Embaixada em Brasília.

O Edmilson já estará lá “preparando o caminho” desde dia 03 agora. Voltamos juntos dia 25, se o Senhor permitir.

O que vamos fazer lá em Dakar, capital?

Além de uma agenda imensa, estou indo para uma reunião em especial: Dia 16 temos um encontro com a Ministra da Primeira Infância e da Criança. Temos uma audiência com o senhor Presidente daquela nação.

Como isso aconteceu não dá pra explicar. Foi Deus. Ele que nos tem conduzido em triunfo.

Como sempre, a gente só vai, pousa, procura abrigos e contatos. Tudo acontece diferente e somos “encontrados” pelos filhos da Paz que, literalmente, esbarram conosco. Aleluia! Louvado seja o Senhor da Seara!

Irmãos, tenho a impressão que escreveremos em Senegal, junto às crianças Talibés, uma extraordinária história de AMOR e MILAGRE.

Vai dar um trabalho infinito. Em setembro desse anos, o Edmílson foi enviado como homem do Caminho-Nações para acompanhar o Eduardo, voluntário da AL SAKHRA. Lá ficaram conhecidos pelas missões internacionais como “os meninos do Caio”. Mas, caminhando entre eles, ficou evidente que nada precisa ser feito em oculto. Podemos andar à luz do dia, mesmo a despeito das adversidades. O SENEGAL é um estado democrático de direito e uma nação laica em sua legislação, apesar da maciça maioria muçulmana da população. Há riscos. Mas só porque no amor há riscos

Mas lá os cristãos não estão sendo queimados vivos nas fogueiras como querem nos fazer pensar as agências missionárias que padecem de desonestidade nas informações que veiculam no Brasil.

E se é assim, não é para a AL SAKHRA. É para o “Caminho”. Não é mais uma operação escondida; e uma ação oficial.

Por isso, o Edmílson é agora o líder do Caminho ao Senegal e o empreendedor do CHEMIN DE FUTUR (o projeto CAMINHO DO FUTURO, que pretende roubar as crianças talibés de seus donos em nome de Jesus! Pode ser que não aconteça nada, mas isso só cabe a Deus. A nós só cabe duas coisas: O “eis-me aqui” e a ORAÇÃO dos que ficam…

Por isso, manos amados, por favor, pela Graça de Deus, “por tudo que é mais sagrado” (rsrs): OREM POR NÓS. OREM PELO EDMÍLSON. OREM PELO CAMINHO-NAÇÕES. Orem para que sejamos revestidos com poder do Alto.Orem para que, nós, fracos, que mal conseguimos lidar com os próprios problemas, sejamos uns BICHOS do amor, em ousadia e paixão, energia e sabedoria. Não temos prata nem ouro, não construímos templos, e o que temos é o que damos: Liberdade aos cativos! Levantem e andem!!!

Então…

Além de orar, quem puder, segundo suas posses, com alegria no coração, nos ajude a juntar dinheiro para tanto.

Irmãos, quem está nos ajudando financeiramente, não pare! Quem não está, comece.

http://www.caminhonacoes.com/doeagora.asp

As passagens são o “olho da cara”, apesar de que, lá, ficaremos hospedados na casa do Dr. Joseph, um togolês casado com uma brasileira que estava sendo preparado pelo Pai para a nossa chegada. Mas são muitos dias, e a gente precisa, inclusive, comer…rs

Estamos preparando o material todo: portfólio, imagens em projeção, carta de intenção de abrir um orfanato lá, etc…

Estamos nos preparando…

Para falar com o presidente pra ajudar toda essa gente que só faz… sofrer!!!

Feliz Ano Novo, que só fale se for em novidade de vida,
Marcelo

OBS: Publiquem onde puderem. Para quem desejar saber mais sobre o convite do governo (vídeo), o fenômeno TALIBÉ, os aliados do Caminho naquela nação, escreva para secretary@caminhonacoes.com e fale com a THALITA, que pode enviar os vídeos; e mesmo com o edmilsonneto@caminhonacoes.com

Tudo tudo pode ser compartilhado, só não traduzam para o francês sem autorização do Ed.

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bedhung em 22/11/11

Apesar de escrever relatórios quase diários do que vem acontecendo aqui na Nigéria sempre tenho em mim um verdadeiro receio de dar muitos detalhes e mesmo assim não conseguir expressar a realidade e complexidade do problema.

Mas, hoje, requer um pouco mais de detalhes para que vocês sintam ou pelo menos percebam o que está acontecendo por aqui.

O desemprego na região é algo alarmante. Não se ouve estatística, mas em toda direção que vou vejo pessoas desesperadas por um trocado que seja para que possam comprar pelo menos um pão;

Policiais fortemente armados pelas estradas dobram o tempo de qualquer percurso com tantas paradas e tantas complicações que arranjam para pedir uma propina e pasmem eu vi uma propina de 200 Nairas (equivalente a R$2,00) deixar dois policiais extremamente satisfeitos. E não pensem que isso aqui vale muito, um cacho de bananas custa 250 Nairas.

Na última terça-feira, a caminho do orfanato James 1:27, vi um homem morto abandonado na beira da rua com seu corpo inteiramente queimado. O odor de carne queimada na rua me causava enjôo. Mais tarde vi quatro rapazes, talvez seus algozes,  que riam enquanto o enterravam a dois metros adentro daquele terreno baldio.

Cheguei ao orfanato James 1:27 para rever as crianças e ver como vai a obra dos dois quartos que pagamos recentemente para serem acabados. É neste orfanato que mantemos a Esther que resgatamos na minha última vinda. Encontrei a maioria das 50 crianças subnutridas vivendo de uma pequena porção diária de farelo de mandioca com água ou às vezes um bocado de feijão. A pequenina Vitória de aproximadamente 4 anos nos implorou por um pedaço de pão. Todas as crianças lá estão sofrendo com uma espécie de sarna na pele e eles não acham a causa do problema.

Suspeita-se dos colchões e/ou pequenos cobertores que não podem ser trocados por falta de condições. A situação é muito triste e carece muito de nosso cuidado. Fiz promessa no nome do Caminho de os ajudarmos mais.

Dois meses atrás a Esther, talvez pela falta de condições no orfanato fugiu de lá e tentou voltar para sua vila.

Nosso time foi tentar encontrá-la e seu padrasto disse que ela havia aparecido por lá mas que lá não estava mais. A Diana entendeu que ela havia sido abandonada novamente e foi procurá-la pelas ruas, a reencontrou aos trapos e a trouxe de volta ao orfanato.  Segundo o pastor do orfanato quando ela chegou e foram dar banho nela viram que ela tinha sido seriamente abusada e sua genitália estava toda desfigurada.

Depois fui rever  as 12 crianças (10 meninos e 2 meninas) que se refugiaram nos cômodos abandonados do antigo orfanato CRARN das quais temos cuidado com alimentos, roupas e ajuda escolar desde junho deste ano através de uma família local que se dispôs a cuidar deles.

Ali também no antigo orfanato encontrei também e pra minha surpresa o escritório reativado com duas ONGs trabalhando em parceria e dizendo que desde setembro tem também cuidado das mesmas crianças dando lhes duas refeições por dia.

Minutos mais tardes as crianças vieram me dizer que elas quase nada recebem daquelas ONGs além de esporadicamente uma porção de farelo de mandioca e percebi que ali não passavam de um grupo de 5 ou 6 funcionários do antigo orfanato desempregados a muito tempo, usando o lugar de fachada para levantar alguns fundos para si próprios. Todas as crianças me pediram que continuasse ajudando elas através da família do Godwin e no fim os meninos literalmente me imploraram por mais uma bola de futebol pois a deles já havia furado a vários dias. No dia seguinte quando retornei com uma bola novinha que havia trazido da Inglaterra a alegria deles foi tão grande que parecia que eu havia lhes realizado um grande sonho.

Depois fui até o orfanato da Salvation Army  (Exército da Salvação) onde mantemos o pequeno Samuel um menininho muito especial que também resgatamos das ruas e pagamos pelo seu cuidado.

Embora eles tenham uma construção invejável com quartos, casas, templo e muita área ao redor hoje só cuidam de 15 crianças e só contam com 4 funcionários por falta de fundos também.

De lá fui procurar a família da dona Mabel que já a mais de uma semana entrou em contato conosco pedindo ajuda. Pediram que fossemos buscar duas crianças que nos espaço de cinco dias foram encontradas  na estrada e que eles não tinham nenhuma condição financeira de cuidar delas.

Chegando lá os conheci. O primeiro que eles haviam encontrado sentado no mato à beira da estrada era o Bassey, um menino de 9 anos bem tímido que não sabe nem exatamente o nome de onde ele morava além do nome da região.

Segundo ele o pai o trouxe e o abandonou na rua. Quando o encontrei ele estava vestindo uma camisa do senhor que o resgatou e estava sem shorts, sem cueca, sem nada. Segundo dona Mabel quando ele foi encontrado estava usando uma roupa literalmente podre, estava extremamente faminto e não fazia idéia de para onde deveria caminhar e por isso sentou ali na estrada e ali ficou.

A segunda criança foi a Favour, aproximadamente 5 aninhos, uma gracinha de menina que não faz idéia do nome do lugar onde ela morava.

Foi também encontrada na beira da estrada com o corpo todo ferido. As marcas estavam espalhadas nas costas e cabeça e se assemelhavam a chicotadas mas ela tentando explicar a causa dizia que foi uma máquina grande e o pessoal acha que ela foi atropelada por algum caminhão e se machucou no asfalto. Por causa da situação em que ela foi encontrada a dona Mabel e seu marido chamaram a polícia que a levou e pelo dialeto dela tentou localizar sua vila, mas não conseguiram e simplesmente a trouxeram de volta. No caso do Bassey na próxima terça-feira a Uduak que trabalha conosco vai passar o dia com ele rodando as vilas de Oron tentando localizar sua vila e família para tentarmos um processo de reconciliação. Mas no caso da pequena Favour não cremos que vamos achar sua família e preciso ainda este fim de semana arranjar um orfanato onde possamos colocá-la e cuidar dela.

Visitei também o que eles chamam de “grande construção da Stepping Stones” e tudo o que vi foi um alicerce realmente bom mas já com muito mato crescendo mostrando a falta de trabalho por ali. Segundo os próprios membros da SSN eles estão com escassez de fundos e isso me disapontou, pois desde o começo do ano os vi deixando as “criancinhas bruxas” meio de lado devido a tanto conflito político com que se envolveram e começaram a desenvolver outros projetos em outros estados e em Gana.

Nas últimas três semanas nosso time resgatou e cuidou do caso de quatro meninos, Samuel (8 anos), Michael (8 anos), David (8 anos) e Israel (6 anos). Samuel está na Salvation Army aos nossos cuidados como já mencionei;  David foi encaminhado ao Ministério do Bem estar da Mulher e Criança; Michael e Israel tiveram suas famílias localizadas e foram ambos reconciliados.

Mas hoje, três horas atrás recebi daqui de Eket más notícias lá de Oron. Michael apareceu quase desmaiando na casa do Chief Medekong com a roupa toda suja de sangue. Quando olharam para ele viram que ele tinha um corte enorme na cabeça.

Rapidamente levaram ele para receber algum socorro, chamaram a polícia e os conduziram até a casa de Michael. Chegando lá abordaram seu pai o qual alegou que seu irmão, tio de Michael, bateu na cabeça dele com uma barra. A polícia encontrou seu tio e ele foi detido aproximadamente uma hora atrás.

Ainda a caminho da base nosso time recebeu uma ligação de Joy , uma funcionária da Stepping Stones, pedindo por ajuda. A mãe dela havia encontrado uma menina de 13 anos chamada Glory  num terreno baldio atrás de um campo de futebol. Ela disse que foi abandonada lá por sua família mas que mora em outra vila. Glory acaba de ser resgatada e vai ficar na nossa base até arranjarmos um orfanato para ela, enquanto tentaremos localizar sua família.

Também visitei as 200 crianças em Uyo ainda no abrigo temporário em que o governo as colocou depois de tê-las retirado do orfanato CRARN. Depois de nossa última visita lá em Julho e das fortes críticas que fizemos ao governo através da mídia eles aparentemente resolveram agir e contrataram mais pessoas para cuidar das crianças, colocaram quase todas em escolas na região, lhe deram uniformes de escola e colocaram uma enfermeira também no abrigo. Assisti as crianças chegarem num ônibus e vi também a cozinheira preparando um caldeirão de sopa de folhas para elas. Foi muito bom revê-las mas certamente ainda falta o mais importante no lugar, amor. As crianças estão mais carentes do que nunca e carecem de tratamento emocional.

No meio e em volta de todo este caos estão as (LITERALMENTE) milhares de “igrejas” pregando a prosperidade e adorando a mamom. Espalhando em cada canto que você olha seus cartazes e folhetos de campanhas cheios de promessas, quase todas ligadas a prosperidade e libertação dos poderes da bruxaria. Outros prometem o milagre do casamento.  A Apóstola Helen  que fez aquele filme desgraçado que infernizou a mente dos nigerianos esta com mais uma campanha prometendo vários milagres entre eles a defesa contra ataques de bruxaria, libertação de pesadelos, falta de promoção no trabalho e impotência financeira.

Enquanto isso os valores familiares e qualquer coisa que se assemelhe ao evangelho de Cristo vão desaparecendo. O inferno vai se instalando. Todo lugar que se olha nas ruas vê-se brigas ou a corrupção do ser. E as crianças continuam a ser consideradas o primeiro fardo a ser abandonado quando a situação fica fora de controle numa família. E são rejeitadas, abusadas e abandonadas o mais distante o possível de casa.

Não tenho perdido uma chance de sentar com pastores aqui tendo longas conversas sobre o EVANGELHO e tenho tido momentos muito bons e marcantes. Com a graça de Deus, a partir de fevereiro vamos colocar o Caio na TV local. Finalmente hoje consegui sentar com a direção de um canal e comecei a acertar os detalhes. Devido ao custo estou encomendando somente meia horinha por semana mas tenho certeza que vai fazer toda a diferença na vida de quem essa mensagem alcançar, assim como tem feito na minha e na sua vida.

Nestes dois anos a única coisa que vi melhorar por aqui

e mesmo assim muito lentamente

foi uma  estrada que liga um caos a outro caos

e a empresa de petróleo ao aeroporto.

Que permaneçamos todos juntos e firmes nessa batalha.

Beijo em todos.

Leo Santos

Eket, Niger Delta – Nigéria

18/11/2011

www.caminhonacoes.com

tucoegg em 01/11/11

O pequeno cômodo que abriga o corpo inerte luta para manter-se em pé. A única parte da modesta casa que por pouco ainda não ruiu, permanece mergulhada em sombra. Há meses o local foi privado de água e luz, servindo apenas como precário abrigo de ratos, baratas e bêbados. O jovem que jaz desfigurado sobre colchão surrado,  regado a cachaça e urina, sabe bem a que se referiu Adoniran Barbosa:

A tristeza é um bichinho
Que pra roer ‘tá sozinho
E como róe a bandida
Parece rato em queijo parmesão

Sobre o banco do carro novo o corpo desfigurado do jovem movimenta-se lento e descontrolado. O caminho para a casa de recuperação é longo. Já esteve em três ou quatro. Fugiu de todas. Na última fuga, vagou a pé e descalço, durante oito dias, até chegar novamente ao rude cômodo que ele chamava de “minha casa”.

A caminho da esperança, chora, xinga, grita, dorme e não consegue controlar a urina. Na casa, é recebido por anjos que viveram outrora no inferno, mas foram resgatados pelo amor e serviço de semelhantes.

É o início das dores que podem trazê-lo de volta à vida.

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tucoegg em 28/10/11

Dentre todas as formas de culto ao sucesso, a mais degradante é, sem dúvida, a religiosa. É necessário esclarecer aqui que o sucesso ao qual me refiro é o sucesso popularizado pela sociedade capitalista, pós-moderna, de consumo. Sucesso que se visualiza no acúmulo de bens e na conquista de status. E a motivação, o alvo desse sucesso (ao menos em tese), é a felicidade. E felicidade, nessa perspectiva, é auto-realização.

O culto ao sucesso é, portanto, culto à auto-realização, culto a “eu mesmo”, edonismo puro. Essa forma de sacralização do sucesso como objetivo último da jornada de cada ser humano, já é desagradável o bastante quando é pregada por gente que não o associa com Deus ou divindade alguma. Mas quando a mola propulsora da busca pelo sucesso é a fé, atingimos um plano definitivamente nauseante.

Nesse conceito depravado de vida, usa-se pessoas para ganhar coisas. Todo relacionamento é motivado pelo resultado do indivíduo na busca pelo sucesso. Só me relaciono com alguém quando tenho algo a ganhar com isso. O conceito cristão deveria ser inverso. Usar coisas para ganhar pessoas. Não ganhar no sentido proselitista de “ganhar almas”, mas no sentido humano de aproximar vidas, de receber a graça de poder desfrutar da vida de alguém e entregar-se por essa pessoa. Um carro novo pode me dar um pouco mais de conforto ou status, mas o que pode realmente transformar a minha vida são os minutos gastos conversando com um estranho na rua.

Quando perguntaram a C. S. Lewis qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade, o professor inglês respondeu:

Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor. Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou abordando o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso em busca da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que lhe será de maior utilidade, mas não tenho como lhe ajudar nisso.

O absurdo maior do cristianismo é que seu sucesso encontra-se na cruz.
Alguém encara um sucesso desses?

tucoegg em 25/10/11
Ainda que às portas da liberdade, permanecia atado a pesadas correntes. Preso às docas, acorrentado ao cais, exalando cheiro de peixe e excremento de aves, o jovem mal conseguia abrir os olhos. A claridade do sol refletindo sobre o oceano verde azulado perfurava-lhe os olhos como lâminas afiadas. Sentia náuseas ao ouvir os sons da liberdade e sentir a imensidão do horizonte.Os anjos que o receberam transfiguravam-se diante de sua mente confusa. Eram inimigos. Gente nefasta dedicada tão somente a livrar-lhe daquilo que lhe era mais sagrado – tristeza, solidão e miséria.

Passou seis dias agarrado ao cais, com as costas voltadas para o oceano, pragejando contra o sol, o mar, o vento e os anjos, alimentando-se de guano, clamando pelo dia em que poderia voltar ao sepulcro fétido que lhe abrigou nos últimos anos. No sexto dia, libertou-se. Diluiu-se e escoou pelo bueiro. Abandonou o cais sem ter experimentado o mar. Deixou os anjos, desaparecendo da vista de todos. Esvaiu pelos esgotos jubiloso, vitorioso, a caminho da morte.

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tucoegg em 21/10/11

2. Só sob tortura

Alguns podem argumentar que, se a igreja do novo testamento não construía templos, não organizava eventos, não engordava, mas espalhava-se em pequenos grupos reunidos espontaneamente nas casas dos cristãos, isso era simplesmente porque ela era perseguida. Não é possível agrupar-se em tempos de perseguição. Sem perseguição a tendência natural é o agrupamento. Exato!

Mas é exatamente contra isso que devemos lutar. Contra a tendência natural! Porque assim como tendemos para o agrupamento, tendemos para a passividade e para o conformismo. Aliás, o agrupamento, tal como o praticamos hoje, redunda em passividade. O atual modelo eclesiástico é baseado em formas e liturgias que perpetuam o distancioamento entro o “clero” e os “leigos”. Isso faz com que o rebanho permaneçam dependente, alienado, incapaz de caminhar pelas próprias pernas e preso a eternas picuinhas e autocomiseração. O leigo não é nada mais do que um observador passivo da produção do clero e de sua dedicada liderança, ainda que as pregações falem o contrário. E a passividade mantém todos como bebês, tornando pastores e líderes reféns das eternas criancices do povo, e muitos passam toda uma vida de ministério dedicado limpando nádegas alheias, colando band-aids e dando beijinhos em arranhões dos bebês que não querem crescer. O resultado de tudo isso é que a igreja passa a oferecer cada vez mais entretenimento barato, papinha e mamadeira, para manter seus fiéis.

É certo que, em muitos casos, a motivação é boa. Tem-se medo de que algumas “almas ganhas” desviem-se da fé, percam a salvação e vão para o inferno. Tem-se também, é óbvio, medo de baixar as entradas e não conseguir pagar as contas que mantém viva toda a estrutura construída com o suor de tantos. Mas é bem possível que vá chegar o tempo em que as estruturas se tornarão mausoléus do passado “glorioso”, assim como vemos hoje na Europa pós-cristã. A sociedade caminha para uma introspecção e individualismo cada vez maiores. As formas de tocar as pessoas serão cada vez mais pessoais. Grandes estruturas tendem a perder credibilidade e esvaziar-se.

Diante dessa realidade e das perspectivas para o futuro, a igreja precisa repensar seriamente sua estrutura básica e sua forma de crescer. A única forma de crescer com saúde, de crescer fazendo com que os membros cresçam juntos, tornem-se adultos, caminhem com as próprias pernas da fé, livres do colo do pastor, é crescer diminuindo. Precisamos ampliar desinchando. Conquistar abrindo mão. A igreja deve migrar para as casas, para pequenos grupos informais, dispersos, diluídos, ‘dessacralizados’. O dinheiro levantado entre os crentes livremente, de coração aberto e generoso, sem cobrança, sem percentual definido, deve ser destinado à promoção da vida e da saúde. Deve ser distribuído entre os necessitados e usado para sustentar creches e orfanatos, e não mais para manter funcionando escritórios, ar-condicionados, impostos e salários de estruturas inchadas e fantasmas, de pouca utilidade prática para a sociedade ao redor.

Mas é possível que jamais tenhamos coragem para tanto. Especialmente porque isso pede de cada cristão muito mais do que nós mesmo estamos dispostos a dar. É talvez por isso que todo avivamento é precedido de severa perseguição. Porque só sob tortura somos capazes de abandonar nossas igrejas vicárias.

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tucoegg em 18/10/11

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Boa pergunta. Por quê?
Alguém arrisca uma boa resposta?

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tucoegg em 14/10/11

1. Inchaço

Quando se fala em crescimento de igreja, automaticamente pensamos no aumento da membresia de uma instituição religiosa, o que fatalmente nos leva à ampliação e/ou reformulação física das estruturas. Igreja de sucesso é aquela com várias centenas (senão milhares) de membros, todos ativos, trabalhando para manter funcionando a grande estrutura de cimento e tijolos, sempre com novos eventos, inovações de entretenimento religioso que mantenham os membros ocupados, satisfeitos, orgulhosos até, de pertencer a um empreendimento de tão visível sucesso. Tanto que um dos fenômenos mais repetidos em toda ‘igreja’ que cresce nesses termos, é migração de rebanhos. Crentes de toda cidade abandonam suas ‘igrejas’ de origem a fim de participarem do empreendimento de êxito. O que rege o crescimento é a lógica de mercado, o culto à performance, a devoção ao status de pertencer a algo grandioso.

A igreja se vende como o instrumento de Deus, como o agente de implantação do Reino de Deus na terra. O Reino de Deus, no entanto, é sinalizado não pela igreja, mas apesar dela. Cristo afinal, chamou-nos para o mundo e não para a igreja. Citou a “ecclesia” um par de vezes, de passagem, sem dar a ela ênfase alguma. Mas nós a transformamos no único veículo avalisado para portar a mensagem sagrada do Evangelho. Cremos que nossa agenda eclesial é a própria encarnação do Reino. Cremos que quando temos nossos templos cheios de gente louvando, dizimando, se abraçando e organizando eventos evangelísticos, estamos implantando o Reino anunciado. No entanto, como diz João Alexandre:

…enquanto se canta e se dança de olhos fechados,
tem gente morrendo de fome por todos os lados…
[veja o clipe no youtube]

Evidentemente toda a igreja que se leva a sério trabalha de alguma forma o lado social, humano, físico, palpável. Mas nosso modelo de funcionamento e de crescimento é quase completamente voltado para manutenção e, se tudo der certo, ampliação das estruturas que consomem quase que a totalidade das entradas em nossas igrejas. A migalha que sobra, depois de tudo pago, vai para algum fim realmente proveitoso.

Enquanto isso, fora dos muros da religião, cristãos piedosos trabalham onde deveriam trabalhar – no mundo ao seu redor. Crentes que entenderam o chamado de Jesus dedicam suas vidas ao próximo com altruísmo, influenciando os que o cercam não pela sua agenda religiosa nem pela sua abstinência do mal (com suas variáveis aparências, dependendo da tendência denominacional do cristão), mas pela sua dedicação ao ser humano, ao próximo, ao aflito. Pela sua disponibilidade. Pela sua abnegação.

A igreja do novo testamento não se agrupava em grandes templos, não erguia para si catedrais, não lotava estádios. Ela se expandia, corria o mundo, de casa em casa. Não sugava o tempo dos cristãos retirando-os por completo da sociedade, isolando-os, alienando-os em suas pregações segregacionistas que dividem a realidade humana entre o sagrado e o profano. Os cristãos do novo testamento viviam no meio do povo e por isso contagiavam o povo.

[continua]

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bedhung em 20/09/11

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bedhung em 31/08/11

Gente amada, amigos do
“Caminho”, filhos do
Evangelho,

Vou resumir de modo rápido
o motivo pelo qual precisamos
urgente de sua contribuição. Em resposta, peço que você seja rápido em nos
ajudar; isso se no seu coração houver confiança em nós e na destinação que
daremos
a sua
participação! É como segue:

· Recebemos vídeos dos abusos
cometidos por líderes
islâmicos
(Marabuts) contra crianças talibés que foram entregues a eles
por pais sem condições de criar seus filhos em
países de
imensa
maioria muçulmana na África;
· As crianças passam o dia
mendigando para recolher
o dinheiro que interessa aos “professores”
de Alcorão, que vivem disso

de sugar o sangue, a energia e a vidinha
de
seus pequenos
“alunos”;
· Muitas Missões-de-Amor  já estão espalhadas pela região
buscando soluções e amparo às crianças talibés, com relatos de recolhimento
daquelas que
conseguem
fugir desses falsos internatos (Dharas);
porém,
os missionários se arriscam muito,
possuem
poucos recursos, são perseguidos, e eventualmente, intimidados; além de estarem
no Campo com suas famílias, o que

sabemos bem
– dificulta
adoção de estratégias ousadas de resgate
dessas
crianças. Eles são do bem e seguem tentando dia-a-dia, com
a Graça de Deus;
· Pareceu bem a nós e ao
Espírito
enviar
ao Campovoluntários da Al Sakhra, em
quantidade e identidades não-reveladas,
para
mapear a situação e termos nossos próprios registros e documentários, e
voltando à Base,
tomar
as melhores decisões para
enfraquecer
os que fazem tropeçar os pequeninos.

· E aqui reside nossa aflição:
raspamos o caixa do CAMINHO-NAÇÕES para providenciar o embarque da equipe, mas
NÃO TEMOS ainda o dinheiro para mantê-los bem supridos durante o tempo
necessário. Como as missões da Al Sakhra exigem, obviamente, discrição
e sigilo, fica difícil demais buscar patrocínio. Daí que, para missões de
infiltração pessoal muitos discípulos do Evangelho têm
se valido de seus próprios recursos para aquilo que Deus lhes chamou a
realizar. Entretanto, em missões internacionais de alta complexidade, só com a
ajuda de todos as intenções se viabilizam.

Então, por favor, nos
ajude!
Vá conosco!
Participe, contribua, faça um
depósito na conta abaixo o quanto antes. Nossa
“má-vontade” em pedir dinheiro já é conhecida. Os
“lobos” andam pedindo tanto
– e com tanta falta de
vergonha na cara-de-pau que possuem

que os “filhos”, constrangidos por serem
confundidos,
entregam o
“direito de primogenitura”
àqueles que recolhem dos bem-intencionados os milhões que os enriquecem. Mas
essa nossa
“frescura”
termina aqui e termina agora, porque o preço de mantê-la é alta: falta dinheiro
para o orfanato de crianças-bruxas, falta dinheiro para a casa do Caminho na
Nigéria, onde formamos discípulos do Amor; falta dinheiro para as publicações
do material de subversão do Evangelho, que a muitos têm libertado para uma nova
vida, outrora impensável.
Falta
dinheiro para ir à Angola em Janeiro
próximo…
Sempre falta… Mas, ao final
de cada expedição, sempre ouvimos no coração a Voz de Quem nos guia:
“Porventura, vos faltou alguma
coisa?”

Logo, é Deus que nos supre,
e é você que ELE usa para isso!

se, de fato, estamos juntos,
regando
as sementes plantadas nos solos áridos dos desertos desse mundo mal, onde o
ódio segue bem patrocinado.

Al Sakhra!


Para
depósitos no BRASIL:
BANCO ITAÚ
Agência: 2974 | Conta: 27523-8As doações via internet exigem a identificação do CNPJ
ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA CAMINHO NAÇÕES.
CNPJ: 13.099.198/0001–54

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